💣 Cada brasileiro pagará mais de R$ 12 mil em juros da dívida pública em 2025 — e isso não reduz um centavo da dívida

Por Redação Archa
Publicado em 7 de junho de 2025


Mais da metade do orçamento da União já foi consumida com juros da dívida pública em 2025. Enquanto isso, escolas seguem sem verba, hospitais sem insumos e professores sem reajuste. Entenda por que o Brasil prioriza os bancos — e não sua população.


Imagine uma casa onde, apesar das contas básicas atrasadas, todo o dinheiro disponível é destinado ao banco — para pagar uma dívida que nunca diminui. Parece ilógico? Esse é o cenário fiscal brasileiro: até 4 de junho de 2025, R$ 1,313 trilhão já foram utilizados para pagar juros e amortizações da dívida pública federal.

Esse valor representa 53,4% do orçamento executado pelo governo federal no ano, segundo levantamento da Auditoria Cidadã da Dívida.

“O Brasil não está quebrado. Ele é saqueado todos os anos pelos juros da dívida.”
— Carta aberta de movimentos populares


O Brasil paga. E a dívida cresce.

Ao contrário do que acontece com uma dívida pessoal, a dívida pública não diminui com o pagamento. O que ocorre é a chamada rolagem da dívida: o governo emite novos títulos para pagar os que vencem — e os juros são pagos com dinheiro público.

Ou seja, não se trata de quitar uma dívida, mas de manter um sistema funcionando eternamente a favor dos credores. E quem são eles? Fundos de investimento, bancos, investidores institucionais — os chamados “donos do mercado”.


A Selic como instrumento de transferência

A taxa Selic, controlada pelo Banco Central, é o principal mecanismo que determina quanto o Brasil paga pela dívida. Atualmente em 14,75% ao ano, ela representa um dos maiores custos de financiamento público do mundo.

Cada 1 ponto percentual a mais na Selic significa R$ 55 bilhões a mais por ano em juros da dívida, segundo o próprio Banco Central do Brasil.

Uma taxa decidida por um comitê não eleito custa mais que toda a verba do Ministério da Educação.


Quanto cada cidadão paga

Com uma população estimada em 213 milhões de habitantes, cada brasileiro já pagou cerca de R$ 6.177 em 2025 para sustentar os juros — valor que pode ultrapassar R$ 12 mil até o fim do ano.

Enquanto isso, faltam verbas para merenda, medicamentos, moradia popular e investimento em ciência e tecnologia.


O que daria para fazer com esse dinheiro?

Se os R$ 1,3 trilhão fossem destinados a políticas públicas em vez de juros:

  • A educação pública poderia dobrar seu orçamento e universalizar o acesso à creche.
  • O SUS poderia zerar as filas por cirurgias e ampliar sua cobertura.
  • Projetos de moradia, transporte coletivo e infraestrutura poderiam mudar a realidade de milhões.

O que está em jogo não é a falta de recursos, mas a forma como o Estado escolhe distribuí-los.


O discurso do “inchaço da máquina” é uma farsa

Há décadas a narrativa oficial culpa os servidores públicos, a previdência ou os “gastos sociais” pelo desequilíbrio das contas públicas. Essa é uma cortina de fumaça.

O verdadeiro rombo está nos trilhões transferidos aos bancos sob o nome de “serviço da dívida”.

Somente em 2025, os juros e amortizações consumiram mais que todos os ministérios sociais somados. Enquanto isso, nenhuma auditoria da dívida foi feita — mesmo sendo prevista no artigo 26 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988.


Por que o Brasil aceita isso?

Porque o modelo foi construído para isso. Desde a década de 1990, sob orientação do FMI e das agências de risco, o Brasil passou a tratar o pagamento da dívida como obrigação suprema do Estado — mesmo que isso significasse sacrificar políticas públicas.

A “independência” do Banco Central consolidou esse sistema, tornando-o blindado da vontade popular e subordinado às exigências do “mercado”.


O que fazer?

O Portal Archa defende:

  • A realização de uma auditoria cidadã da dívida pública, com participação popular e transparência;
  • A reversão do modelo de “priorização do mercado”;
  • Uma política fiscal que respeite os direitos constitucionais da população — e não o lucro de poucos.

Fontes e referências:


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