Enquanto o povo pede justiça, a Câmara discute boneca.
Por Antonio Archangelo — para o Portal Archa
A sessão desta segunda-feira (17) promete ser uma das mais simbólicas da legislatura atual na Câmara de Rio Claro. De um lado, será lido o pedido de abertura de comissão que poderá resultar na cassação do vereador suspenso Dalberto Christofoletti (PSD). De outro, ganha prioridade na pauta o bizarro Projeto de Lei nº 70/2025, que propõe multar quem usar uma boneca “bebê reborn” para simular a presença de uma criança em vagas e filas preferenciais.
Mas há mais: quem também vai ocupar a Tribuna Livre da Câmara é a presidente do Conselho Municipal de Educação, representando o descontentamento da comunidade educacional com o descaso da gestão pública. A pauta de amanhã escancara um confronto: o grito da educação por dignidade contra a tentativa da Câmara de silenciar o escândalo Dalberto com uma cortina de fumaça feita de plástico e fralda.
A informação foi divulgada inicialmente pelo perfil Bastidores da Política RC.
O pedido foi protocolado pelo vereador Rafael Andreeta (Republicanos) com base nas denúncias contra Dalberto e as recentes ordens para anular empenhos e editais. Segundo o Regimento Interno (art. 209), a leitura do pedido exige votação imediata para decidir se a Comissão Processante será instaurada.
🧸 Boneca reborn vira prioridade legislativa
Enquanto isso, os vereadores se preparam para discutir com toda solenidade o Projeto de Lei nº 70/2025, do vereador Emílio Cerri (Podemos), que criminaliza o uso de bonecas hiper-realistas como artifício para obter benefícios sociais.
O texto já passou pelas comissões e será o primeiro item a ser votado. A justificativa diz querer “proteger a moralidade”, mas o momento escolhido para sua votação revela outra coisa: desviar a atenção da cassação de um colega investigado por interferência política indevida.
🎓 Conselho de Educação ocupa a Tribuna: o povo vai falar
A presença da presidente do Conselho Municipal de Educação na Tribuna Livre da sessão representa a indignação generalizada da comunidade escolar com a atual situação da rede municipal:
- Déficit de 1.396 vagas em creches, segundo o TCE-SP;
- Escolas sem professores e materiais básicos;
- Piso do magistério burlado com abonos;
- Gestão omissa diante da crise;
- Falta de diálogo e de investimento real.
O fato de esse protesto ocorrer na mesma sessão que tenta esconder o pedido de cassação e dar palco para “pauta-boneca” torna o quadro ainda mais absurdo e revoltante.
🤡 A política como teatro de má-fé
Em vez de reagir ao colapso institucional da cidade, a Câmara cria um enredo fantasioso onde bonecas ganham mais atenção que professores, estudantes e princípios éticos. Em vez de enfrentar o escândalo Dalberto, brincam de legislar.
Uma cidade com educação falida e cultura saqueada não pode aceitar que brinquedos sejam usados como escudo para proteger vereadores em conflito com a lei.
📣 Segunda, 17h30: o povo vai assistir
A sessão será pública. A pergunta é: quem a Câmara vai ouvir? A sociedade ou o silêncio conveniente?
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