Em tempos de hiperconectividade e formação moral em curso, um artigo recém-publicado por Ana Paula da Silva Gomes e Claudia Sebastiana Rosa da Silva faz um alerta que deveria ecoar em cada sala de aula do país: a omissão da escola frente à vida digital dos estudantes pode contribuir diretamente para o aprofundamento de desigualdades sociais, educativas e éticas.
Intitulado “Além da tela: a escola na educação preventiva construindo a cidadania digital do futuro”, o estudo revisita marcos teóricos e legais para demonstrar que a escola precisa assumir, com intencionalidade e criticidade, o papel de formadora de cidadãos digitais conscientes — sob pena de perder para os algoritmos, influenciadores e plataformas que já moldam, sem mediação pedagógica, as subjetividades infantojuvenis.
A pesquisa foi publicada na coletânea Educação em Debate: Boas Práticas e Impactos – 2024, e utiliza uma abordagem qualitativa centrada em revisão bibliográfica. Entre os autores analisados, estão Piaget, Kohlberg, Dewey, Castells e Floridi, além de normativas como o Marco Civil da Internet e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Escola ausente, algoritmos presentes
O diagnóstico é direto: crianças e adolescentes estão sendo formados moralmente em um ambiente digital marcado por cyberbullying, desinformação e ausência de limites éticos, enquanto a escola, muitas vezes, permanece silenciosa ou desatualizada frente a esse cenário. A consequência é a consolidação de um modelo de cidadania digital excludente, onde apenas os mais bem orientados — ou os menos vulneráveis — conseguem se proteger e atuar com consciência crítica nas redes.
Do conteúdo à conduta
Mais do que ensinar a “usar a internet com segurança”, o artigo propõe que a escola assuma um papel preventivo e formador, promovendo o pensamento crítico, a empatia e a responsabilidade como princípios pedagógicos para a era digital. Isso implica em ações concretas: formação de professores, envolvimento familiar, diretrizes curriculares claras e, sobretudo, projetos escolares que abordem as tensões éticas do ciberespaço.
O que está em jogo?
O estudo conclui que o futuro da cidadania digital depende das escolhas feitas agora. Não se trata apenas de prover infraestrutura, mas de garantir mediação pedagógica qualificada. “A atuação preventiva da escola, aliada a políticas públicas e ao envolvimento das famílias, é essencial para a construção de uma cidadania digital ética e efetiva”, defendem as autoras.
📄 A íntegra do artigo está disponível no volume 2 da coletânea Educação em Debate: Boas Práticas e Impactos – 2024
