A insuficiência cardíaca segue como uma das principais causas de morte no Brasil, e a pandemia de COVID-19 deixou um efeito silencioso, mas devastador: após a queda registrada entre 2020 e 2021, as mortes voltaram a subir nos anos seguintes, atingindo com mais força mulheres idosas e populações do Nordeste e Sudeste.
O levantamento, conduzido por Bruno dos Santos, Matheus Gomes Thomazetto, Julia Porto Marques, Isabela Salonski Alves e Patricia Domingos Noro da Silva Martins, analisou dados do DATASUS/TABNET sobre internações e óbitos por insuficiência cardíaca (CID-10 I50) entre janeiro de 2015 e abril de 2025. A maioria das mortes ocorreu em pessoas com 80 anos ou mais, sendo as mulheres as mais afetadas.
As regiões Sudeste e Nordeste concentraram os maiores números absolutos de óbitos, evidenciando desigualdades regionais no enfrentamento da doença. Durante o período crítico da pandemia, os números caíram — fenômeno que os autores associam à subnotificação e à redução de diagnósticos devido ao colapso dos serviços de saúde. Mas o retorno às taxas mais altas nos anos seguintes sugere que a interrupção de consultas e tratamentos agravou o cenário.
Para os pesquisadores, a insuficiência cardíaca não é apenas um desafio médico, mas um problema de gestão pública que exige políticas mais incisivas para prevenção, diagnóstico precoce e cuidado contínuo. A vulnerabilidade das populações mais idosas e a sobrecarga regionalizada do SUS reforçam a urgência de estratégias integradas de combate à doença.
Referência:
SANTOS, Bruno dos; THOMAZETTO, Matheus Gomes; MARQUES, Julia Porto; ALVES, Isabela Salonski; MARTINS, Patricia Domingos Noro da Silva. Mortalidade por insuficiência cardíaca no SUS: análise epidemiológica (2015-2025). Scire Salutis, v. X, n. X, p. XX-XX, 2025. DOI: 10.6008/CBPC2236-9600.2025.002.0003.
