Em um dos cenários mais complexos da medicina, o câncer em estágio metastático, o Sistema Único de Saúde (SUS) segue sendo o principal responsável por garantir diagnóstico, tratamento e cuidado contínuo a milhões de brasileiros. Estudo publicado na edição de dezembro de 2025 da Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE) demonstra que a atuação do SUS é determinante para frear a progressão da doença, ampliar a sobrevida e assegurar dignidade aos pacientes, mesmo diante de desigualdades regionais e limitações estruturais.
O artigo “O papel do Sistema Único de Saúde no controle da progressão metastática do câncer”, assinado por Douglas Maciel de Jesus Gonçalves, Gildycélia Inácio de Souza, Vinícius Lemos Menegoni e outros pesquisadores da área da saúde, analisou evidências científicas publicadas entre 2020 e 2025 em bases como SciELO, LILACS e PubMed. A conclusão é direta: sem o SUS, o controle do câncer metastático no Brasil seria inviável para a maior parte da população.
Segundo o estudo, o SUS atua de forma integrada desde a atenção primária — porta de entrada do sistema — até os serviços de alta complexidade em oncologia. Esse encadeamento é essencial para o diagnóstico precoce, o início oportuno do tratamento e o acompanhamento contínuo dos pacientes, fatores que influenciam diretamente a contenção da disseminação tumoral.
A pesquisa destaca que atrasos no diagnóstico e dificuldades de acesso a exames e terapias especializadas estão diretamente associados ao agravamento da doença. Nesse contexto, a organização da rede pública de saúde, com fluxos regulados e integração entre os níveis de atenção, é apontada como um dos principais diferenciais do SUS no enfrentamento do câncer avançado.
Outro ponto central é o acesso universal. Mesmo em casos de alto custo, como quimioterapia, radioterapia, cirurgias oncológicas e terapias imunológicas, o SUS garante atendimento gratuito, o que reduz desigualdades e evita que o tratamento do câncer metastático seja privilégio de quem pode pagar. Para os autores, esse aspecto reafirma o SUS como política pública de equidade e justiça social.
O estudo também evidencia o papel dos cuidados paliativos no sistema público, fundamentais para pacientes em estágios avançados da doença. O cuidado não se restringe à tentativa de cura, mas inclui controle da dor, suporte psicológico, acompanhamento familiar e preservação da qualidade de vida, reforçando o princípio da integralidade do cuidado.
Apesar dos avanços, os pesquisadores reconhecem desafios persistentes, como desigualdades regionais, filas para exames especializados e concentração de serviços de alta complexidade em determinados territórios. Ainda assim, o artigo é enfático ao afirmar que o fortalecimento do SUS — com investimento contínuo, qualificação das equipes e ampliação da rede oncológica — é o caminho mais eficaz para melhorar os desfechos clínicos no câncer metastático.
Em um momento em que o sistema público de saúde é frequentemente alvo de ataques ou tentativas de desfinanciamento, o estudo reforça um dado incontornável: é o SUS que sustenta o cuidado oncológico no Brasil, inclusive nos casos mais graves e complexos. Defender o SUS, nesse cenário, não é apenas uma posição política — é uma questão de saúde pública e de sobrevivência.
Referência
GONÇALVES, Douglas Maciel de Jesus et al. O papel do Sistema Único de Saúde no controle da progressão metastática do câncer. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE), São Paulo, v. 11, n. 12, p. 7758–7767, dez. 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i12.23607.
