O avanço das tecnologias digitais na educação tem provocado deslocamentos profundos nas formas de ensinar e aprender, exigindo que o design instrucional seja repensado para além de modelos técnicos e prescrições lineares. Essa é a principal tese do artigo Abordagens do design instrucional na educação contemporânea, de autoria de Marisa Ferreira da Silva Mariano, publicado em 2026 na Revista Educação Contemporânea.
A pesquisa analisa como o design instrucional se reconfigura diante dos desafios epistemológicos da educação atual, marcada pela fluidez digital, pela complexidade dos processos formativos e pela intensificação do uso de plataformas tecnológicas. De acordo com o estudo, reduzir o design instrucional à aplicação instrumental de modelos compromete sua potência formativa, ao esvaziar a dimensão ética, política e pedagógica da mediação educativa.
Ao dialogar com diferentes referenciais teóricos, o artigo sustenta que o design instrucional deve ser compreendido como um gesto ético e integrador, capaz de articular intencionalidade pedagógica, escuta ativa e sensibilidade às experiências dos sujeitos em formação. Nesse sentido, a inovação tecnológica, quando dissociada da reflexão crítica, tende a reproduzir práticas descontextualizadas e mecanizadas, distantes das necessidades reais dos estudantes.
A análise evidencia ainda que os ambientes digitais ampliam possibilidades de interação, colaboração e personalização da aprendizagem, mas também intensificam tensões relacionadas à padronização excessiva, à sobrecarga cognitiva e à perda de sentido pedagógico. Para a autora, o desafio central do design instrucional contemporâneo está em equilibrar estrutura e abertura, planejamento e imprevisibilidade, sem subordinar o processo educativo à lógica da eficiência técnica.
O estudo destaca o papel do docente como curador de sentidos, responsável não apenas por organizar conteúdos, mas por criar condições para que o conhecimento se transforme em experiência significativa. Nesse horizonte, o design instrucional deixa de operar como roteiro fechado e passa a funcionar como cartografia provisória, aberta ao diálogo, à reinvenção e à pluralidade de percursos formativos.
Ao final, o artigo conclui que o design instrucional só cumpre sua função pedagógica quando orientado por uma mediação crítica, comprometida com a formação integral e com a autonomia dos sujeitos. Em um cenário educacional cada vez mais atravessado por tecnologias, a pesquisa alerta que a verdadeira inovação não está na adoção de ferramentas, mas na capacidade de sustentar práticas educativas éticas, dialógicas e contextualizadas.
Referência
MARIANO, Marisa Ferreira da Silva. Abordagens do design instrucional na educação contemporânea. Revista Educação Contemporânea, v. 3, n. 1, p. 118–124, 2026. DOI: 10.5281/zenodo.18356064.
