Um estudo desenvolvido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Jaru, reacende o debate sobre os limites e as possibilidades da gestão por competências como estratégia para modernizar a administração pública brasileira. O trabalho, assinado por Valdeir Gomes dos Santos Junior, analisa como esse modelo pode contribuir para melhorar o desempenho institucional, fortalecer a governança e qualificar a entrega de políticas públicas, ao mesmo tempo em que expõe obstáculos históricos que dificultam sua consolidação no setor público.
A pesquisa parte do diagnóstico de que a gestão de pessoas permanece como um dos pontos mais frágeis do Estado brasileiro. Estruturas burocráticas rígidas, processos de avaliação pouco integrados ao planejamento estratégico e políticas de capacitação desconectadas das necessidades reais das organizações públicas seguem comprometendo a eficiência administrativa. Nesse cenário, a gestão por competências surge como alternativa para alinhar conhecimentos, habilidades e atitudes dos servidores às demandas institucionais e sociais.
Segundo o estudo, o modelo permite superar a lógica tradicional centrada exclusivamente em cargos e tempo de serviço, ao priorizar a capacidade efetiva de entrega de resultados. Ao mapear competências essenciais e integrá-las ao planejamento estratégico, a administração pública tende a ganhar maior clareza de papéis, melhorar a alocação de pessoal e reduzir desperdícios de recursos humanos. O trabalho destaca ainda que servidores que compreendem suas responsabilidades e expectativas institucionais tendem a apresentar maior engajamento e motivação.
Apesar do potencial identificado, o autor aponta que a implementação da gestão por competências no setor público brasileiro ocorre de forma desigual e enfrenta resistências significativas. A cultura organizacional burocrática, a ausência de sistemas informatizados adequados e a falta de continuidade administrativa figuram entre os principais entraves. Muitos servidores ainda percebem o modelo como mecanismo de controle, especialmente quando não há comunicação clara sobre seus objetivos e critérios de avaliação.
O estudo também evidencia que iniciativas isoladas não são suficientes para consolidar o modelo. A gestão por competências exige investimento institucional, formação contínua de lideranças e integração efetiva entre avaliação de desempenho, capacitação e planejamento estratégico. Quando esses elementos não estão articulados, a abordagem tende a se limitar ao discurso, sem impacto real sobre o funcionamento das organizações públicas.
Mesmo diante dos desafios, a pesquisa conclui que os benefícios observados superam os obstáculos. A literatura analisada indica que órgãos que avançaram na adoção consistente da gestão por competências registram melhorias nos processos decisórios, maior transparência administrativa e fortalecimento da governança. Esses efeitos refletem diretamente na qualidade das políticas públicas e na capacidade do Estado de responder a demandas sociais cada vez mais complexas.
Ao final, o trabalho defende que a gestão por competências não deve ser tratada como solução pontual ou modismo gerencial, mas como política estruturante de longo prazo. Para o autor, a modernização do Estado brasileiro passa, necessariamente, pela valorização do desenvolvimento humano e pela construção de modelos de gestão capazes de articular eficiência administrativa, impessoalidade e compromisso com o interesse público.
Referência
SANTOS JUNIOR, Valdeir Gomes dos. Gestão por competências no setor público brasileiro: desafios e possibilidades. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em Gestão Pública) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, Campus Jaru, Jaru/RO, 2025.
