❤️ Infarto ainda mata no Brasil: hospitalizações disparam e SUS enfrenta desafios estruturais

O infarto agudo do miocárdio (IAM) segue como uma das principais ameaças à saúde pública no Brasil, combinando alta incidência, mortalidade significativa e forte pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Um estudo recente publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE) revela que, apesar dos avanços no tratamento, a doença ainda impõe desafios estruturais relevantes ao sistema.

A pesquisa analisou dados do DATASUS entre 2015 e 2025 e identificou um crescimento expressivo nas internações por infarto no país. No período, foram registradas mais de 1,5 milhão de hospitalizações e cerca de 144 mil óbitos associados à condição, evidenciando a magnitude do problema no contexto brasileiro .

Os dados mostram que o número de internações praticamente dobrou ao longo da década, passando de pouco mais de 100 mil casos em 2015 para quase 200 mil em 2025. Já os óbitos apresentaram variações mais discretas, sem crescimento proporcional ao aumento das hospitalizações. Esse descompasso indica uma melhora relativa na capacidade de resposta do sistema de saúde, refletida na queda da taxa de mortalidade hospitalar, que caiu de 11,8% para cerca de 7% no período analisado .

O perfil epidemiológico aponta maior incidência entre homens, que lideram tanto em número de internações quanto de óbitos. Ainda assim, estudos indicam que mulheres apresentam maior risco de morte após o evento, muitas vezes devido ao diagnóstico tardio e à presença de sintomas atípicos, o que dificulta a identificação precoce da doença.

Apesar dos avanços tecnológicos e da ampliação do acesso a tratamentos como trombólise e angioplastia, o estudo destaca que o tempo de atendimento ainda é um fator crítico. A demora entre o início dos sintomas e a intervenção médica — conhecida como tempo porta-balão — continua sendo determinante para a sobrevivência dos pacientes. No Brasil, esse atraso está frequentemente associado a dificuldades logísticas, desigualdades regionais e limitações na oferta de serviços especializados, especialmente fora dos grandes centros urbanos .

Outro ponto de atenção é o impacto das desigualdades estruturais do SUS. Regiões com menor acesso a unidades de alta complexidade, como centros de hemodinâmica, tendem a apresentar piores desfechos clínicos. Além disso, fatores de risco amplamente disseminados na população — como hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo — continuam alimentando a incidência da doença.

O estudo também aponta que a pandemia de covid-19 pode ter influenciado a dinâmica dos atendimentos, com redução na procura por serviços de emergência em determinados períodos, o que pode ter agravado quadros clínicos e impactado os resultados em saúde.

Para os autores, o cenário exige mais do que avanços tecnológicos. É necessário fortalecer a atenção primária, ampliar estratégias de prevenção, melhorar o diagnóstico precoce e garantir maior integração entre os diferentes níveis de atenção do SUS. Sem isso, o infarto continuará sendo não apenas uma emergência médica, mas um sintoma crônico das fragilidades do sistema de saúde brasileiro.


REFERÊNCIA

PEREIRA, Letícia Diman et al. Infarto agudo do miocárdio: perfil epidemiológico e desafios no SUS. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE), v. 12, n. 3, 2026.


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