Isenção do Imposto de Renda deve injetar R$ 26,2 bi por ano na renda dos trabalhadores, aponta DIEESE

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), sancionada no final de 2025 e válida a partir de 2026, deve gerar um impacto econômico direto de R$ 26,2 bilhões por ano na renda dos trabalhadores formais, segundo estimativa técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

O dado consta da Nota Técnica nº 290, divulgada em fevereiro de 2026, e foi calculado a partir de microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2024, com simulações detalhadas do Imposto de Renda antes e depois da nova legislação DIEESE Nota Tec 290 IR isencao_….

De acordo com o estudo, 15,6 milhões de trabalhadores formais serão beneficiados diretamente pela mudança. Desse total, cerca de 10 milhões passarão a ficar totalmente isentos do IR, por receberem até R$ 5 mil mensais, enquanto outros 5 milhões terão redução parcial do imposto, para rendas de até R$ 7.350 por mês.

O impacto econômico estimado pelo DIEESE resulta da soma do ganho anual de renda líquida dos trabalhadores após a redução do imposto. Desse montante, aproximadamente R$ 20,9 bilhões correspondem a trabalhadores celetistas, enquanto R$ 5,3 bilhões referem-se a servidores estatutários, totalizando os R$ 26,2 bilhões anuais.

A metodologia utilizada considerou apenas vínculos formais ativos em 31 de dezembro de 2024, com valores de remuneração corrigidos para dezembro de 2025 pelo INPC. Para cada trabalhador, foi calculado o imposto devido segundo a regra anterior e comparado com o valor apurado após a ampliação da isenção e a aplicação dos descontos progressivos, permitindo estimar o ganho individual e o impacto agregado.

Os efeitos da medida são expressivos sobretudo entre trabalhadores de menor renda. Segundo o DIEESE, um trabalhador que recebe R$ 3.500 por mês terá um ganho anual estimado de R$ 530, enquanto quem ganha R$ 5.000 mensais poderá ter um aumento de renda de até R$ 4.170 por ano. Mesmo nas faixas intermediárias, os ganhos permanecem relevantes: para rendimentos de R$ 5.500, o acréscimo anual estimado é de R$ 3.283, e para R$ 7.000, de R$ 621.

Além do impacto direto na renda do trabalho, o DIEESE destaca que a medida tende a fortalecer o mercado interno, uma vez que trabalhadores de baixa e média renda destinam a maior parte do que recebem ao consumo. Estudo citado na nota técnica, elaborado pelo Made-USP, projeta que a ampliação da isenção do IR pode gerar um incremento adicional entre R$ 23 bilhões e R$ 27 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, o equivalente a aproximadamente 0,2% de crescimento econômico adicional.

Para compensar a redução de arrecadação decorrente da ampliação da isenção, a nova legislação institui uma tributação mínima sobre as rendas mais elevadas, com alíquotas progressivas que podem chegar a 10% para rendimentos anuais superiores a R$ 1,2 milhão. Segundo estimativas oficiais citadas pelo DIEESE, essa regra deve atingir cerca de 140 mil contribuintes no topo da distribuição de renda, corrigindo parcialmente uma distorção histórica do sistema tributário brasileiro, no qual os mais ricos, proporcionalmente, pagavam menos imposto do que trabalhadores de renda intermediária.

O estudo conclui que a ampliação da isenção do Imposto de Renda representa uma mudança estrutural relevante na tributação sobre o trabalho no Brasil e reforça a importância de ampliar o debate público sobre justiça tributária, diante do elevado grau de desconhecimento da população sobre os efeitos concretos da nova política fiscal.


Referência

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (DIEESE). Reforma do Imposto de Renda: mais um passo para a justiça tributária. Nota Técnica nº 290. São Paulo, 5 fev. 2026.

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