Um artigo publicado na Revista Aracê analisa os desafios e as perspectivas da educação em saúde na era digital, com foco na literacia digital e na formação profissional no Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo destaca que, apesar do avanço acelerado das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), especialmente após a pandemia de Covid-19, ainda persistem lacunas significativas na formação inicial e permanente dos profissionais da saúde.
De caráter teórico-reflexivo, o trabalho articula documentos normativos, políticas públicas e literatura científica com experiências práticas das autoras em gestão, ensino e telessaúde. A análise evidencia que as TDICs ampliaram o acesso à educação em saúde, favoreceram metodologias ativas e possibilitaram maior flexibilidade formativa, mas sua efetividade depende diretamente de abordagens pedagógicas consistentes e da qualificação de docentes e discentes para o uso crítico das tecnologias.
O artigo aponta a telessaúde como uma estratégia central na consolidação da saúde digital no Brasil, alinhada à Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028. Experiências como webconferências, cursos online, preceptoria em telessaúde, produção de podcasts e uso de recursos educacionais abertos são apresentadas como práticas capazes de fortalecer a educação permanente em saúde e integrar ensino, serviço e gestão no SUS.
Ao mesmo tempo, o estudo alerta para desafios estruturais que limitam o pleno potencial das TDICs, como as desigualdades no acesso à infraestrutura digital, a sobrecarga informacional, a fragilidade na formação docente para mediação pedagógica com tecnologias, a dependência de vontade política para a sustentabilidade das iniciativas e as exigências éticas e regulatórias impostas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Como conclusão, as autoras defendem que a literacia digital deve ser compreendida como uma competência essencial na formação em saúde, indo além do domínio técnico e incorporando dimensões críticas, éticas e criativas. O fortalecimento da educação digital no SUS, segundo o estudo, exige a institucionalização de políticas públicas robustas, atualização curricular contínua e a construção de ecossistemas formativos híbridos, capazes de responder às complexas demandas contemporâneas da saúde pública brasileira.
Referência (ABNT)
MOURA, Talita Helena Monteiro de; ARAGÃO, Brunna Francisca de Farias; MACHIAVELLI, Josiane Lemos; VAZ, Débora Rodrigues. Educação em saúde na era digital: desafios e perspectivas para a literacia digital e formação profissional no SUS. Revista Aracê, São José dos Pinhais, v. 8, n. 2, p. 1-15, 2026. DOI: 10.56238/arev8n2-105.
