Um estudo desenvolvido no Instituto Federal do Amazonas (IFAM) investigou como redes sociais podem contribuir para ampliar o alcance do conhecimento científico na educação técnica. A pesquisa analisou o uso do Instagram como ferramenta de difusão de conteúdos fitossanitários no contexto da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), mostrando que plataformas digitais podem atuar como importantes instrumentos pedagógicos e de extensão tecnológica.
O trabalho foi conduzido por Giulliana Letticia Ribeiro do Nascimento, Ana Júlia da Costa Pereira Pinto, Clara Cristina Alba de Souza Sena, Odiluza Maria Saldanha de Oliveira e Adriano Pereira da Silva Martins, envolvendo estudantes e docentes de um curso técnico em Agropecuária do IFAM. A pesquisa buscou compreender se a integração entre educação técnica e mídias digitais poderia ampliar o engajamento e a circulação de informações sobre fitossanidade — área fundamental para o controle de pragas e doenças nas plantações.
A investigação foi realizada por meio de um estudo de caso em que os estudantes criaram e administraram um perfil educativo no Instagram dedicado à disseminação de conteúdos técnicos sobre sanidade vegetal. Durante um período de 30 dias, foram publicados materiais didáticos multimodais — incluindo posts informativos e vídeos curtos — que explicavam conceitos básicos de fitossanidade e estratégias de prevenção de pragas.
Os dados coletados por meio da ferramenta Instagram Insights revelaram resultados expressivos. O perfil alcançou 1.880 contas e acumulou 3.779 visualizações, registrando crescimento superior a 6.600% no número de contas alcançadas em relação ao período inicial de atividade. Além disso, o perfil obteve 423 interações e uma taxa de engajamento de aproximadamente 22,5%, índice considerado elevado para conteúdos educativos.
Outro dado relevante foi a participação significativa de usuários que não seguiam inicialmente a página. Cerca de 46,9% das visualizações e mais da metade das interações vieram de não seguidores, indicando que o conteúdo conseguiu ultrapassar os limites da comunidade escolar e alcançar públicos mais amplos interessados na temática agrícola.
A pesquisa também comparou diferentes formatos de conteúdo publicados na plataforma. Os vídeos curtos (Reels) demonstraram desempenho superior aos posts estáticos, concentrando 72,1% das visualizações e 83,6% das interações. Esse resultado confirma a força do formato audiovisual nas redes sociais e sugere que microconteúdos em vídeo podem facilitar a comunicação de temas técnicos complexos.
Para os autores, a experiência demonstra que redes sociais podem funcionar como instrumentos complementares de ensino e extensão tecnológica, ampliando a circulação do conhecimento científico e aproximando instituições de ensino da sociedade. No entanto, os pesquisadores alertam que o uso pedagógico dessas plataformas exige planejamento didático, rigor científico e estratégias narrativas adequadas ao ambiente digital.
Ao articular educação técnica, cultura digital e comunicação científica, o estudo reforça que as redes sociais podem desempenhar papel relevante na democratização do conhecimento. Quando utilizadas de forma crítica e planejada, plataformas como o Instagram podem transformar conteúdos especializados — muitas vezes restritos a publicações acadêmicas — em informações acessíveis e socialmente úteis.
Referência
NASCIMENTO, Giulliana Letticia Ribeiro do et al. Educação técnica e mídias digitais: análise do uso do Instagram na difusão de conhecimentos fitossanitários. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 1, 2026.
