O custo da cesta básica voltou a subir em todas as capitais brasileiras pelo segundo mês consecutivo e acendeu um novo alerta sobre o avanço da inflação alimentar no país. Dados divulgados nesta segunda-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos mostram que os preços dos alimentos básicos aumentaram nas 27 capitais pesquisadas em abril de 2026.
Segundo o levantamento, as maiores altas mensais ocorreram em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%).
São Paulo registrou a cesta básica mais cara do país, chegando a R$ 906,14. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26). Já os menores custos foram identificados em Aracaju (R$ 619,32), São Luís (R$ 639,24) e Maceió (R$ 652,94).
O estudo também calcula o chamado “salário mínimo necessário”, valor estimado para garantir alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário e lazer para uma família de quatro pessoas. Em abril de 2026, esse valor deveria ser de R$ 7.612,49 — cerca de 4,7 vezes maior que o salário mínimo oficial de R$ 1.621,00.
Na média nacional, um trabalhador precisou dedicar 100 horas e 52 minutos de trabalho apenas para comprar os produtos básicos da alimentação mensal. O comprometimento médio da renda líquida com a cesta básica chegou a 49,57%.
Entre os produtos que mais pressionaram os preços aparecem leite integral, tomate, batata e feijão. O leite integral teve aumento nas 27 capitais pesquisadas. Já o tomate subiu em 25 cidades, chegando a disparar 25,58% em Fortaleza.
A pesquisa aponta ainda que fatores como entressafra, restrição de oferta, aumento da demanda e oscilações no mercado internacional seguem influenciando diretamente os preços pagos pelos consumidores brasileiros. Produtos como carne bovina e pão francês também apresentaram elevação significativa em grande parte do país.
Embora o Brasil permaneça como uma das maiores potências agroalimentares do planeta, os dados revelam uma contradição cada vez mais visível: produzir alimentos em larga escala não tem significado, necessariamente, acesso mais barato à alimentação para a população. O avanço constante da cesta básica amplia o peso da alimentação no orçamento doméstico e impacta diretamente outros direitos fundamentais, como saúde, transporte, lazer e educação.
A parceria entre Conab e DIEESE foi criada em 2024 para ampliar o monitoramento nacional da cesta básica e fortalecer políticas públicas relacionadas à segurança alimentar e abastecimento. Desde 2025, o levantamento passou a abranger as 27 capitais brasileiras.
Referências:
DIEESE; CONAB. Análise Mensal da Cesta Básica de Alimentos – Todas as Capitais – Resultados de Abril de 2026. São Paulo, 11 maio 2026.
