Estudo defende que a IA generativa deve ser incorporada como ferramenta de mediação pedagógica crítica, preservando o protagonismo docente e a formação humana na universidade.
A expansão da Inteligência Artificial Generativa está transformando a educação superior, mas seu uso não deve se limitar à automação de tarefas ou ao domínio de novas ferramentas tecnológicas. Essa é a principal conclusão de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e da Universidade do Porto (Portugal), que propõe a Pedagogia Digital como um novo referencial para compreender o ensino na era da IA.
Segundo os autores, a Inteligência Artificial precisa ser incorporada às práticas educacionais de forma crítica, ética e humanizada, fortalecendo — e não substituindo — o papel do professor na mediação do conhecimento.
Muito além do uso de ferramentas
A pesquisa argumenta que a chegada da IA generativa exige uma revisão das formas tradicionais de ensinar e aprender.
Para os pesquisadores, simplesmente inserir plataformas inteligentes na sala de aula não garante inovação pedagógica. É necessário compreender que essas tecnologias modificam as formas de produzir conhecimento, de interagir e de construir processos educativos.
Nesse contexto, surge o conceito de Pedagogia Digital, entendido como um campo voltado à reflexão sobre os processos de ensino mediados por tecnologias digitais, especialmente na formação de professores.
IA é uma criação humana
O estudo rejeita a ideia de que a Inteligência Artificial possa ser vista como um agente autônomo capaz de substituir educadores.
Os autores defendem que a IA é uma produção histórica e social desenvolvida por seres humanos, carregando valores, interesses, limitações e escolhas presentes em sua concepção.
Por isso, sua utilização precisa ser acompanhada por reflexão ética, pensamento crítico e responsabilidade pedagógica.
O professor continua no centro da aprendizagem
Embora reconheça o potencial da IA para apoiar planejamento de aulas, elaboração de materiais, personalização da aprendizagem e organização de atividades, a pesquisa enfatiza que nenhuma tecnologia substitui a mediação humana.
A construção do conhecimento continua dependendo do diálogo, da interpretação, da sensibilidade pedagógica e da capacidade do docente de contextualizar conteúdos conforme a realidade dos estudantes.
Na avaliação dos autores, o maior risco está na adoção de perspectivas tecnicistas que reduzem a educação à utilização de ferramentas digitais.
Formação docente ganha novo desafio
A pesquisa também destaca que a formação inicial e continuada dos professores passa a incorporar novas competências.
Além do domínio técnico das tecnologias, torna-se indispensável desenvolver capacidades relacionadas à curadoria de informações, avaliação crítica de conteúdos produzidos por IA, ética digital, autoria e mediação pedagógica em ambientes híbridos.
Segundo os pesquisadores, preparar docentes para esse cenário significa formar profissionais capazes de utilizar a Inteligência Artificial de maneira consciente, crítica e comprometida com a aprendizagem.
Universidade precisa repensar seus modelos
O estudo conclui que a expansão da Inteligência Artificial representa uma oportunidade para repensar práticas pedagógicas no ensino superior.
Em vez de compreender a IA como ameaça à docência, os autores propõem que ela seja integrada como instrumento de apoio à inovação educacional, preservando a centralidade das relações humanas, da autonomia intelectual e da produção crítica do conhecimento.
Para os pesquisadores, o futuro da educação superior dependerá menos da tecnologia em si e mais da forma como universidades e professores decidirão utilizá-la na construção de experiências educativas significativas.
Referência
LUZ, Luiz Carlos Sacramento da; COELHO, Maria Thereza Ávila Dantas; SANTO, Eniel do Espírito; TRINDADE, Sara Dias. Pedagogia Digital: a Inteligência Artificial no Ensino Superior.
