Resenha Crítica: A Transformação da Escola e a Pedagogia dos Multiletramentos

Resumo:
Esta resenha crítica é parte do cumprimento da disciplina “02. Teorias da Aprendizagem e Ambientes Digitais”, parte integrante da Especialização em Educação Digital para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental pela Universidade Estadual do Norte do Paraná. O foco do trabalho é a análise da palestra “A transformação da escola e a formação de professores”, de António Nóvoa, juntamente com as ideias do livro “Multiletramentos na Escola”, de Roxane Rojo (2020), para discutir a evolução da escola e a formação de professores em um contexto de multiletramentos e multiculturalidade.

Introdução
O ensino tradicional, com a aula do professor no centro do processo, é cada vez mais questionado à medida que a sociedade se torna mais diversificada e as tecnologias digitais revolucionam a comunicação. António Nóvoa, em sua palestra “A transformação da escola e a formação de professores”, propõe uma mudança de paradigma, sugerindo uma abordagem mais colaborativa e interativa para a educação. Em paralelo, Roxane Rojo, no livro “Multiletramentos na escola”, apresenta a ideia de multiletramentos, enfatizando a necessidade de uma educação que reconheça a multiculturalidade e a multimodalidade dos textos e práticas sociais.

Esta resenha crítica, parte do cumprimento da disciplina “02. Teorias da Aprendizagem e Ambientes Digitais”, da Especialização em Educação Digital para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental pela Universidade Estadual do Norte do Paraná, explora essas duas visões para discutir como as escolas podem adaptar-se ao novo cenário educacional. A partir das propostas de Nóvoa e Rojo, analisa-se a necessidade de reconfigurar a escola, deslocando o foco do professor para uma abordagem mais centrada nos alunos, que incorpore a riqueza da diversidade cultural e as possibilidades oferecidas pelos recursos digitais. Com essa perspectiva, busca-se entender como as práticas educacionais podem se alinhar ao contexto contemporâneo, promovendo uma pedagogia mais inclusiva e dinâmica.

A palestra “A transformação da escola e a formação de professores”, apresentada por António Nóvoa, propõe uma nova visão para o sistema educacional contemporâneo. O autor sugere que o centro da escola moderna não deve mais ser a aula do professor, mas sim o estudante e a comunidade escolar como um todo. Isso implica uma mudança de paradigma que requer reformulação da forma como a escola e os professores atuam.

2. A Escola do Século XXI

Segundo Nóvoa (2023), o modelo escolar tradicional é baseado em uma estrutura verticalizada, onde o professor é o detentor do conhecimento e o transmite aos alunos de maneira unidirecional. No entanto, este modelo não atende mais às necessidades da sociedade atual, cada vez mais diversificada e tecnológica. A escola do século XXI precisa ser mais colaborativa, promovendo a interação entre estudantes e a troca de conhecimentos de forma horizontal.

Essa perspectiva é reforçada por Roxane Rojo em “Multiletramentos na escola” (2020), onde ela destaca a importância da multiculturalidade e da multimodalidade no contexto educacional. Rojo (2020, p. 12-13) observa que, para abranger a complexidade da sociedade contemporânea, é necessário adotar um conceito de multiletramentos, que engloba diferentes formas de linguagem e comunicação. Segundo a autora, o foco deve ser a interação entre culturas diversas e o uso de uma variedade de ferramentas para a comunicação e expressão, como vídeos, áudio, imagens, entre outros.

Com base nessa abordagem, a escola precisa se tornar um espaço de experimentação e criatividade, onde os alunos são estimulados a desenvolver suas habilidades em diversas áreas. Rojo (2020, p. 13) menciona que os textos atuais são frequentemente multimodais, ou seja, compostos por diferentes modos de significação, o que exige uma abordagem pedagógica que vá além do letramento tradicional. Isso implica que os professores precisam se adaptar a esse novo contexto, promovendo práticas educacionais que incentivem a colaboração e a criatividade.

Além disso, Rojo (2020, p. 19-21) sugere que a escola deve reavaliar sua função como provedora de cultura, especialmente diante do crescimento da internet e das redes sociais. A escola precisa reconhecer que os alunos já estão inseridos em um ambiente rico em diversidade cultural, e deve oferecer um espaço onde eles possam trazer suas experiências pessoais para a sala de aula. Esse enfoque permite uma educação mais inclusiva, onde as diversas formas de conhecimento são valorizadas e respeitadas.

Ambas as abordagens, tanto de Nóvoa quanto de Rojo, indicam que a escola do futuro deve ser flexível e aberta à colaboração. O papel do professor também precisa ser redefinido, passando de uma posição de autoridade para uma posição de facilitador do aprendizado. Essa mudança requer uma formação continuada dos professores e uma reavaliação das práticas pedagógicas, de modo a atender às demandas de uma sociedade em constante transformação.

Em resumo, a palestra de António Nóvoa e o livro de Roxane Rojo destacam a importância de repensar a estrutura tradicional da escola, enfatizando a necessidade de um ensino centrado no aluno, aberto à diversidade cultural e às novas formas de comunicação. A adoção de uma pedagogia dos multiletramentos pode ser a chave para transformar a escola em um espaço mais dinâmico e inclusivo.

Conclusão

Em resumo, a palestra de António Nóvoa e as ideias apresentadas por Rojo sobre multiletramentos oferecem perspectivas complementares sobre as mudanças necessárias no ambiente educacional. Enquanto Nóvoa destaca a necessidade de transformação da escola para se adaptar às mudanças sociais e culturais, Rojo defende uma abordagem pedagógica que valorize a pluralidade cultural e a multimodalidade dos textos, buscando conectar a educação às práticas do mundo contemporâneo.

Ao unir essas duas perspectivas, percebemos a importância de uma pedagogia centrada no aluno, que promove o diálogo, a colaboração e o engajamento crítico com a diversidade cultural. A centralidade do professor como único detentor do conhecimento está sendo gradualmente substituída por um modelo que valoriza a participação ativa dos alunos e a construção coletiva do conhecimento. Essa transição reflete a necessidade de preparar os estudantes para um mundo cada vez mais interconectado e diversificado.

Um possível achado científico nesta aproximação é a constatação de que a adoção de práticas pedagógicas que incorporem multiletramentos pode levar a uma aprendizagem mais significativa e contextualizada. Essas práticas permitem que os alunos se envolvam com uma variedade de gêneros textuais e recursos multimodais, desenvolvendo habilidades que vão além da mera alfabetização tradicional. Como resultado, a escola deixa de ser um espaço de transmissão unidirecional de conhecimento e se torna um ambiente onde a criatividade, a crítica e a colaboração são incentivadas.

Diante dessa perspectiva, futuras pesquisas podem explorar como a implementação de pedagogias baseadas em multiletramentos afeta a motivação dos alunos, a inclusão social e o desenvolvimento de habilidades do século XXI. A partir desse ponto, educadores e formuladores de políticas educacionais podem buscar maneiras de integrar essas práticas em currículos e ambientes escolares, promovendo uma educação mais justa e relevante para as novas gerações.

Referência

NÓVOA, António. “A transformação da escola e a formação de professores.” Palestra, YouTube, 2023. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AEADBbcmiZ8. Acesso em 24 de abril de 2024.

ROJO, R. H. R. Multiletramentos na escola [recurso eletrônico]. 1 ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2020.

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