📍 Salário mínimo necessário em maio de 2025 deveria ser de R$ 7.528,56, segundo DIEESE

Mesmo com queda da cesta básica em 15 capitais, o custo da sobrevivência permanece distante do valor oficial do salário mínimo. Especialistas apontam que o problema não está no consumo popular, mas na concentração do mercado e nas decisões do setor agroexportador.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgou, nesta quinta-feira (6), o valor do salário mínimo necessário para suprir o custo de vida de uma família de quatro pessoas no Brasil: R$ 7.528,56. O cálculo tem como base a cesta básica mais cara do país (São Paulo) e considera os gastos com moradia, alimentação, educação, saúde, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, conforme previsto no Art. 7º da Constituição Federal.

Atualmente, o salário mínimo em vigor é de R$ 1.518,00. Isso significa que o valor necessário é quase cinco vezes maior do que o piso oficial.

Segundo o DIEESE, mesmo com a leve redução no valor da cesta básica em maio — como ocorreu em São Paulo (-1,44%), Belo Horizonte (-2,50%) e Recife (-2,56%) — o custo médio dos alimentos básicos ainda consome mais da metade do salário líquido nacional. Na capital paulista, por exemplo, o trabalhador precisou de 129 horas e 53 minutos de jornada para comprar os produtos essenciais, comprometendo 63,82% do salário líquido apenas com alimentação.

A pesquisa revelou ainda que, no acumulado dos últimos 12 meses, quase todas as capitais tiveram alta no valor da cesta, com destaque para Vitória (8,43%) e São Paulo (8,38%). Produtos como o café em pó tiveram aumentos que ultrapassam 100% em algumas regiões, enquanto o pão francês, a carne bovina e o óleo de soja também registraram aumentos significativos.

Para especialistas, o encarecimento dos alimentos não está relacionado à ampliação do consumo popular — tese frequentemente repetida por setores conservadores que associam programas sociais ao aumento da inflação —, mas sim a um conjunto de fatores estruturais: a prioridade dada à exportação de grãos e carnes, o enfraquecimento dos estoques públicos reguladores e a ausência de controle estatal sobre a cadeia de distribuição de alimentos.

“O que vemos é a financeirização da alimentação. A soja, o trigo, o arroz e até o café viraram ativos de mercado, cotados em bolsas e estocados por grandes grupos para valorizar artificialmente”, aponta Miguel Stedile, em entrevista anterior ao Brasil de Fato. “Enquanto isso, o consumidor brasileiro, mesmo sendo o produtor, paga mais caro por algo que ajudou a colher.”

De acordo com análise técnica do próprio DIEESE, a elevação dos preços no setor de alimentos reflete o desequilíbrio entre oferta, exportações e estoques reguladores, agravado pela ausência de uma política pública robusta de segurança alimentar — como as desenvolvidas entre 2003 e 2014. O fim do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), extinguido por decreto presidencial em 2019, também é citado como um dos marcos do desmonte da regulação estatal.

Entre os alimentos que mais subiram, o destaque vai para o café em pó, com aumento de 75,50% em São Paulo, e para a carne bovina, com 25,61% de alta na capital paulista. Ambos estão entre os produtos mais afetados pela valorização cambial e pela demanda externa.

Enquanto isso, o debate público segue centrado na contenção de gastos sociais. Para o DIEESE, porém, o salário mínimo atual está longe de garantir condições mínimas de subsistência. O dado de R$ 7.528,56, embora simbólico, serve como indicador do que seria necessário para se viver com dignidade em uma das maiores economias do mundo.


📎 Fontes:

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close