Digitalização avança lentamente e mantém exclusão digital em prefeituras do Alto Oeste Potiguar

A adoção de tecnologias da informação e da comunicação (TICs) na gestão de processos administrativos ainda ocorre de forma lenta e desigual nas prefeituras do Alto Oeste Potiguar, no Rio Grande do Norte, comprometendo a eficiência administrativa e a transparência dos serviços públicos. A constatação é de pesquisa realizada por José Kayque Lima Lopes e Débora Bruna Alves Almeida, apresentada no âmbito do XXXI Seminário de Iniciação Científica da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).

O estudo analisou o uso — ou desuso — de sistemas eletrônicos em 17 prefeituras da região, com foco na gestão de processos administrativos. A pesquisa, de natureza exploratória e descritiva, combinou dados qualitativos e quantitativos coletados por meio de formulário eletrônico aplicado a servidores diretamente envolvidos na execução dos trâmites administrativos.

Os resultados revelam um cenário marcado pela exclusão digital. Das 17 prefeituras investigadas, nove ainda mantêm processos exclusivamente manuais, enquanto apenas oito utilizam algum tipo de sistema eletrônico. Mesmo entre os municípios que adotaram ferramentas digitais, a dependência de arquivos físicos permanece generalizada, o que evidencia a coexistência — e a sobreposição — de práticas analógicas e digitais.

Nos municípios que operam apenas com processos manuais, os principais problemas identificados são a lentidão dos trâmites, os altos custos com recursos físicos e a dificuldade de monitoramento e controle dos procedimentos administrativos. Já nas prefeituras que utilizam sistemas eletrônicos, os entraves assumem outra natureza: custos operacionais elevados, burocracia nos processos de contratação, resistência organizacional à mudança, complexidade dos sistemas, limitações de infraestrutura, instabilidade da conexão à internet e carência de capacitação técnica dos servidores.

A pesquisa aponta que, em ambos os modelos, os impactos recaem diretamente sobre a transparência e a qualidade do serviço público. Um dado relevante é a insatisfação generalizada dos servidores, tanto com os modelos analógicos quanto com os digitais, indicando que a simples adoção de tecnologia não tem sido suficiente para qualificar a gestão pública local.

Segundo os autores, a percepção negativa dos usuários internos constitui um fator crítico para a gestão da mudança, pois compromete a adesão aos sistemas e limita os ganhos potenciais da informatização. Nesse contexto, a digitalização incompleta tende a reproduzir gargalos administrativos em vez de solucioná-los.

O estudo conclui que a superação desse cenário exige políticas públicas específicas para municípios de pequeno porte, com foco na redução das desigualdades regionais. Entre as recomendações estão a implementação gradual dos sistemas eletrônicos, o investimento contínuo na capacitação dos servidores e a formação de consórcios intermunicipais como estratégia para otimizar recursos e viabilizar a transição digital.

Ao mapear de forma empírica os limites e as contradições da informatização na administração pública local, a pesquisa oferece subsídios relevantes para o aprimoramento da gestão municipal e para a construção de serviços públicos mais eficientes, acessíveis e transparentes para a população do interior nordestino.


Referência

LOPES, José Kayque Lima; ALMEIDA, Débora Bruna Alves. Investigação das tecnologias de informação e comunicação utilizadas para a gestão de processos nas prefeituras do Alto Oeste Potiguar. In: Seminário de Iniciação Científica da UFERSA, 31., 2024. Pau dos Ferros: UFERSA. Agência financiadora: PICI-UFERSA.

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