O uso intensivo das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) foi decisivo para garantir a continuidade do cuidado e ampliar o acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) durante a pandemia de Covid-19, especialmente por meio da telemedicina e da telessaúde. A avaliação é apresentada no artigo As tecnologias da informação e comunicação no fortalecimento do SUS: telemedicina, telessaúde e acesso à informação em tempos de pandemia, publicado em 2026 na Revista Contemporânea.
Assinado por Rubia Brasil Silva Menezes, Samanta Hosokawa Dias de Nóvoa Rocha, Matheus Pereira Cavalcante e Julia Cruvinel Rabello, o estudo analisa como ferramentas digitais foram incorporadas às redes de atenção à saúde em um contexto de emergência sanitária, permitindo o monitoramento remoto de pacientes, a triagem de casos e o suporte clínico à distância. Segundo os autores, a pandemia acelerou processos que já estavam em curso, evidenciando o papel estratégico da saúde digital para a sustentação do sistema público.
A pesquisa, de natureza qualitativa e baseada em revisão de literatura e análise documental, destaca experiências práticas como a do programa TelessaúdeRS-UFRGS, que registrou crescimento expressivo na demanda por teleconsultorias durante as primeiras semanas da crise sanitária. Essas iniciativas contribuíram para apoiar profissionais da Atenção Primária à Saúde, reduzir deslocamentos desnecessários e otimizar o uso de recursos hospitalares em um período de alta pressão sobre o sistema.
O artigo aponta que a flexibilização temporária das normas pelo Ministério da Saúde e pelos conselhos profissionais foi fundamental para viabilizar a expansão da telemedicina no país. Serviços como teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta passaram a integrar o cotidiano do SUS, funcionando como complemento ao atendimento presencial e ampliando o alcance das ações de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas.
Apesar dos avanços, o estudo identifica entraves estruturais que limitam a consolidação dessas tecnologias no pós-pandemia. Entre os principais desafios estão a ausência de uma regulamentação definitiva, a desigualdade no acesso à infraestrutura digital, dificuldades de interoperabilidade entre sistemas de informação e a necessidade de capacitação contínua dos profissionais de saúde. Essas fragilidades afetam sobretudo regiões historicamente marcadas por desigualdades socioeconômicas.
Os autores também ressaltam a importância da gestão da informação em saúde como dimensão central da transformação digital. A integração entre TICs, telemedicina e práticas de gestão documental é apontada como condição para garantir a autenticidade, a preservação e o acesso às informações clínicas, reforçando o direito à saúde e à informação previsto na Constituição de 1988.
A pesquisa conclui que a incorporação das tecnologias digitais não deve se restringir ao caráter emergencial observado durante a pandemia. Para fortalecer de forma sustentável o SUS, é necessário transformar essas ferramentas em políticas públicas permanentes, articuladas a investimentos em infraestrutura, regulação ética, financiamento e qualificação profissional. Segundo o estudo, somente assim a saúde digital poderá contribuir para um sistema público mais equitativo, eficiente e centrado nas necessidades da população brasileira.
Referência
MENEZES, Rubia Brasil Silva; ROCHA, Samanta Hosokawa Dias de Nóvoa; CAVALCANTE, Matheus Pereira; RABELLO, Julia Cruvinel. As tecnologias da informação e comunicação no fortalecimento do SUS: telemedicina, telessaúde e acesso à informação em tempos de pandemia. Revista Contemporânea, v. 6, n. 1, p. 1-15, 2026. DOI: 10.56083/RCV6N1-079.
