Apesar da redução registrada em julho, capital paulista manteve a cesta mais cara do país, no valor de R$ 915,01; trabalhador precisou cumprir mais de 124 horas de jornada para comprar os alimentos básicos
O custo da cesta básica caiu 5,23% em São Paulo entre junho e julho de 2026, chegando a R$ 915,01. Mesmo com a redução, a capital paulista continuou ocupando a primeira posição entre as 27 capitais pesquisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Depois de São Paulo, as cestas mais caras foram encontradas em Cuiabá, com custo de R$ 881,27; Florianópolis, com R$ 860,73; e Rio de Janeiro, com R$ 855,37. Os menores valores foram registrados em Aracaju, R$ 594,07; Maceió, R$ 618,60; Natal, R$ 631,51; e João Pessoa, R$ 644,04.
A pesquisa mostra que o preço do conjunto de alimentos básicos diminuiu em 26 das 27 capitais brasileiras durante julho. A única alta foi observada em São Luís, onde a cesta ficou 0,30% mais cara.
Apesar do recuo mensal, o custo da cesta em São Paulo acumula aumento de 8,16% desde dezembro de 2025. Na comparação com julho do ano passado, a elevação foi de 5,67%.
Tomate e batata puxam queda mensal
Dos 13 produtos que compõem a cesta básica paulistana, dez ficaram mais baratos em julho. As principais reduções ocorreram no tomate, com queda de 26,82%, e na batata, cujo preço recuou 15,85%.
Também ficaram mais baratos:
- feijão-carioca: -3,33%;
- café em pó: -2,82%;
- óleo de soja: -2,29%;
- açúcar refinado: -1,83%;
- farinha de trigo: -1,70%;
- carne bovina de primeira: -1,48%;
- banana: -1,37%;
- arroz agulhinha: -1,34%.
Em sentido contrário, três produtos apresentaram aumento: leite integral, com alta de 1,55%; pão francês, 0,81%; e manteiga, 0,65%.
Segundo a análise, a maior oferta de tomate, favorecida pela produtividade e pelas condições de maturação, contribuiu para a redução dos preços. No caso da batata, a intensificação da safra de inverno e a melhora da produtividade ampliaram a disponibilidade do produto no varejo.
Feijão acumula alta de quase 45% em 12 meses
Quando a comparação considera os últimos 12 meses, o feijão-carioca aparece como o principal destaque negativo para o consumidor paulista. O produto acumulou alta de 44,94%, seguido pela batata, com aumento de 36,54%.
Também ficaram mais caros nesse período a carne bovina de primeira, 9,91%; o leite integral, 4,49%; o pão francês, 4,08%; a banana, 2,52%; e o óleo de soja, 0,26%.
Entre os produtos que ficaram mais baratos em 12 meses, as maiores quedas foram observadas no açúcar refinado, com redução de 21,67%; no café em pó, 17,82%; e no arroz agulhinha, 14,97%.
Cesta compromete mais da metade da renda
Um trabalhador de São Paulo remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 124 horas e 11 minutos para adquirir a cesta básica em julho. Em junho, eram necessárias 131 horas e dois minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto previdenciário de 7,5%, a alimentação básica comprometeu 61,02% da renda do trabalhador. Em junho, esse percentual havia alcançado 64,39%.
Na média das 27 capitais, a cesta consumiu 49,34% do salário mínimo líquido e exigiu 100 horas e 24 minutos de trabalho.
Salário mínimo necessário seria de R$ 7,6 mil
Com base no custo da cesta de São Paulo, o DIEESE estimou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho de 2026.
O valor corresponde a 4,74 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621 e considera despesas previstas constitucionalmente, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência Social.
Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos — resultados de julho de 2026. Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Divulgação em 10 de agosto de 2026.
