📍 Manifesto denuncia abandono da educação em Rio Claro e acusa gestão Perissinotto de precarização deliberada


Documento da Apeoesp reúne denúncias de falta de insumos, merenda precária, tentativa de retirada de direitos dos professores e alerta para o silêncio da Câmara Municipal. Diretores escolares também acusam o prefeito de descumprir o Plano Municipal de Educação.


A educação pública de Rio Claro vive uma crise sem precedentes, segundo denúncias reunidas pela Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo – subsede local. Em manifesto público divulgado no dia 3 de junho, a entidade classifica a situação como “insustentável” e acusa a administração do prefeito Gustavo Perissinotto (PSD) de promover um processo de precarização deliberada do ensino municipal, ao mesmo tempo em que aumenta cargos comissionados e reduz a participação da comunidade escolar nas decisões.

O documento, assinado pelo coordenador Willian Abreu Silva, foi impulsionado após uma série de protestos de professores e manifestações de diretores de escolas. Entre as denúncias, estão falta de materiais básicos (como papel higiênico e produtos de limpeza), problemas com a merenda escolar, infraestrutura precária com risco à integridade física dos estudantes, além da tentativa frustrada da Prefeitura de alterar o Plano de Carreiras do Magistério sem diálogo prévio.

“A manobra foi inserida sorrateiramente em meio a uma reforma administrativa que criou centenas de cargos comissionados”, afirma o texto, referindo-se à tentativa da gestão municipal de aprovar mudanças estruturais na carreira docente sem consultar os profissionais da educação, o que violaria, segundo o manifesto, o próprio Plano Municipal de Educação, que exige ampla consulta à comunidade escolar.

A repercussão negativa levou a prefeitura a recuar. Após pressão, mobilizações nas escolas e manifestações públicas, a proposta foi retirada. Mesmo assim, o episódio é descrito no manifesto como parte de um “modus operandi” da atual administração: falta de transparência, centralização decisória e prioridade a interesses políticos em detrimento do direito à educação.

Em entrevista ao Jornal Cidade, Perissinotto pediu desculpas à população, alegando que as dificuldades são reflexo da burocracia imposta pela nova Lei de Licitações e da necessidade de “contar centavos” na gestão. As justificativas, no entanto, não convenceram os profissionais da educação.

“Se falta dinheiro para o básico, por que criar mais cargos comissionados? Por que cortar direitos e não cortar privilégios?”, questiona o manifesto, reforçando que quase 90% dos diretores escolares assinaram um documento conjunto criticando a gestão municipal.

Além das denúncias estruturais, o texto chama atenção para a falta de oposição efetiva na Câmara Municipal, apontando o silêncio dos vereadores diante da crise como sinal de “conivência política” com o projeto de desmonte da educação pública.

A Apeoesp convida a população, entidades civis, sindicatos e partidos a assinarem o manifesto e pressionarem a administração municipal por ações concretas, transparência no uso dos recursos da educação e respeito à carreira dos professores. As adesões podem ser enviadas até o dia 4 de junho, conforme orientações no documento.

O caso expõe não apenas a situação crítica da rede municipal de ensino em Rio Claro, mas também lança luz sobre um modelo de gestão que parece privilegiar acordos políticos e terceirizações, em detrimento de compromissos com a escola pública, gratuita e de qualidade. Como alerta o manifesto: “A crise na educação não é um problema isolado, mas um sintoma de uma gestão que governa sem o devido contraponto.”

Cabe lembrar que no dia 23 de maio, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação publicou nota oficial declarando apoio aos professores de Rio Claro e condenando o desmonte da rede municipal. A nota foi repercutida pelo Portal Archa:
📎 Campanha pelo Direito à Educação apoia professores de Rio Claro em ato contra desmonte da rede municipal

No mesmo dia, o Portal Archa também noticiou que o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou um procedimento investigativo sobre a crise. O inquérito apura denúncias de má gestão, omissão administrativa, irregularidades na merenda escolar e tentativa de reforma de carreira sem consulta pública.
📎 Ministério Público abre investigação sobre colapso na educação de Rio Claro

O caso segue em acompanhamento.


📎 Fontes consultadas:


Confira o documento na íntegra:

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