O custo da cesta básica aumentou em todas as 27 capitais brasileiras em maio de 2026, segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Entre as maiores altas registradas no mês estão Recife (8,05%), Florianópolis (7,81%), Fortaleza (7,48%), Porto Alegre (7,24%) e Cuiabá (5,16%).
A capital mato-grossense voltou a figurar entre as cidades com alimentação mais cara do país. Em maio, a cesta básica em Cuiabá alcançou R$ 925,49, ficando atrás apenas de São Paulo, onde o custo atingiu R$ 952,20. Também aparecem entre as mais caras Rio de Janeiro (R$ 914,48) e Florianópolis (R$ 913,43).
O levantamento mostra ainda que o trabalhador cuiabano precisou destinar 61,72% do salário mínimo líquido para adquirir os produtos da cesta básica, comprometendo mais da metade da renda apenas com alimentação. O tempo necessário de trabalho para comprar os itens básicos chegou a 125 horas e 37 minutos.
No acumulado de 2026, a cesta básica em Cuiabá registrou alta de 16,96%, enquanto a variação em 12 meses alcançou 14,16%, uma das maiores entre as capitais brasileiras.
Segundo a análise da Conab e do Dieese, os principais fatores que pressionaram os preços foram as fortes altas da batata, do tomate, da carne bovina e do feijão. A batata apresentou aumentos expressivos em todas as capitais do Centro-Sul, enquanto o tomate subiu em 26 das 27 cidades pesquisadas. A carne bovina também avançou na maior parte do país, impulsionada pela demanda externa e pela oferta restrita de animais para abate.
O estudo aponta ainda que, considerando a cesta mais cara do país, localizada em São Paulo, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.999,44 em maio, equivalente a 4,93 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621.
Para os pesquisadores, o resultado reforça a persistente pressão inflacionária sobre os alimentos e o impacto direto no orçamento das famílias brasileiras, especialmente nas regiões onde o custo da alimentação já figura entre os mais elevados do país.

Fonte: Conab / Dieese – Pesquisa Nacional da Cesta Básica (maio/2026)
