Arqueoastronomia leva ciência, cultura indígena e tecnologia para a sala de aula por meio da metodologia STEAM

Experiência desenvolvida em escola pública da Paraíba demonstra como a integração entre Astronomia, História, Arte e Física pode fortalecer o ensino e estimular a preservação do patrimônio arqueológico brasileiro.

Uma proposta pedagógica desenvolvida em uma escola pública estadual de Taperoá, no Cariri paraibano, tem mostrado que a arqueoastronomia pode se tornar uma poderosa ferramenta para aproximar estudantes da ciência, da história e da valorização dos conhecimentos ancestrais dos povos indígenas. O projeto foi apresentado durante o XXIII Encontro de Astronomia do Nordeste (EANE 2025) e propõe uma abordagem transdisciplinar baseada na metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática).

Idealizada pelo professor Felipe Sérvulo Maciel Costa, a iniciativa conecta conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Temas Contemporâneos Transversais e metodologias ativas para promover uma aprendizagem contextualizada e interdisciplinar. A proposta integra componentes como Física, História, Arte e Astronomia, utilizando a arqueoastronomia como eixo articulador das atividades desenvolvidas com estudantes do ensino médio técnico.

Ciência aliada ao patrimônio cultural

Ao longo do projeto, os estudantes participaram de oficinas de arte rupestre, atividades de astrofotografia, criação de constelações, utilização do software Stellarium, palestras com pesquisadores e visitas técnicas a sítios arqueológicos da região, incluindo Lagoa do Escuro, Pau Leite e a Ilumiara Jaúna. Essas experiências permitiram relacionar registros arqueológicos, fenômenos astronômicos e as cosmovisões dos povos originários brasileiros.

Além do desenvolvimento de competências científicas, a proposta enfatizou a educação patrimonial, estimulando a reflexão sobre a necessidade de preservar sítios arqueológicos frequentemente ameaçados por ações de vandalismo e degradação.

Ensino interdisciplinar desperta interesse dos estudantes

A pesquisa realizada com os participantes revelou que a maior parte dos estudantes nunca havia tido contato com conteúdos de arqueoastronomia antes da iniciativa. Após a participação nas atividades, os alunos avaliaram positivamente a experiência, destacando o caráter prático das oficinas, das aulas de campo e das atividades experimentais como fatores determinantes para ampliar o interesse pela astronomia e pelas ciências em geral.

Os resultados também indicaram ampla aceitação da proposta de incluir a arqueoastronomia no currículo escolar, reforçando o potencial desse campo para integrar conhecimentos científicos, históricos, culturais e tecnológicos em uma mesma experiência educativa.

Conhecimento ancestral como ferramenta de educação científica

Segundo o autor, a iniciativa dialoga diretamente com a Lei nº 11.645/2008, que determina o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena, além das diretrizes da BNCC voltadas à valorização da diversidade cultural. A pesquisa defende que o estudo da astronomia indígena e da arqueoastronomia contribui para uma formação científica mais ampla, ao mesmo tempo em que fortalece o reconhecimento dos saberes tradicionais e da riqueza cultural brasileira.

Ao final do projeto, os estudantes apresentaram suas produções em uma exposição aberta à comunidade escolar, consolidando um processo de aprendizagem baseado no protagonismo estudantil, na investigação científica e na valorização do patrimônio histórico.

O estudo conclui que experiências desse tipo demonstram o potencial da arqueoastronomia para aproximar ciência, cultura e educação patrimonial, oferecendo um modelo replicável para escolas interessadas em desenvolver práticas pedagógicas interdisciplinares alinhadas às demandas contemporâneas da educação brasileira.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close