Projeto leva prevenção da bronquiolite a nove UBS e alcança cerca de 180 pessoas em Minas Gerais

Ação de extensão realizada por estudantes e professor de Medicina levou informações sobre VSR, sinais de alerta, prevenção e imunização a gestantes, puérperas, pais e cuidadores em Passos

A sala de espera de uma Unidade Básica de Saúde pode ser mais do que o lugar onde o paciente aguarda uma consulta. Em Passos, no sul de Minas Gerais, ela se transformou em espaço para conversar sobre uma das principais causas de hospitalização de crianças menores de dois anos: a bronquiolite.

Durante seis meses de 2026, o projeto de extensão “Primeiros Suspiros Protegidos: Informação, Prevenção e Estratégias de Imunização contra a Bronquiolite no SUS” percorreu nove UBS do município promovendo atividades educativas sobre a doença e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), seu principal agente etiológico.

A iniciativa foi desenvolvida por estudantes do curso de Medicina da Faculdade Atenas-Passos, sob orientação do professor Marco Túlio Menezes Carvalho.

Informação também é prevenção

As ações foram direcionadas principalmente a gestantes, puérperas, pais e cuidadores de crianças menores de dois anos. Em vez de restringir a atividade a palestras convencionais, a equipe utilizou rodas de conversa, exposições dialogadas, dinâmicas, atendimento de dúvidas e orientações individuais.

Também foram produzidos cartazes, cartilha simplificada, banner e materiais para redes sociais, com linguagem adaptada à comunidade. Os conteúdos abordaram transmissão, sinais de gravidade, prevenção domiciliar, imunização contra o VSR e formas de acesso às estratégias disponíveis na rede pública.

As fotografias apresentadas no próprio relato mostram essas atividades acontecendo nas salas de espera das UBS e registram os materiais educativos utilizados pela equipe. Nas páginas 5 a 8, por exemplo, aparecem intervenções nas unidades Coimbras II, Novo Horizonte, Coimbras I e III, Casarão, Bela Vista I, Polivalente, Nossa Senhora Aparecida e Aclimação.

Cerca de 180 pessoas participaram

Ao final dos seis meses, o projeto havia alcançado aproximadamente 180 pessoas, incluindo familiares e cuidadores de crianças, gestantes, puérperas, profissionais da Atenção Primária e integrantes das comunidades atendidas.

As atividades ocorreram nas UBS Bela Vista I, Casarão, Novo Horizonte, Coimbras III, Aclimação, Nossa Senhora Aparecida, Coimbras I, Coimbras II e Polivalente.

Segundo o relato, houve boa receptividade da população e dos profissionais de saúde. Os autores afirmam que o formato dialogado e os materiais ilustrados facilitaram a discussão sobre prevenção, imunização e reconhecimento precoce dos sinais de gravidade.

Quando procurar atendimento?

Esse último ponto é especialmente importante porque quadros inicialmente semelhantes a outras infecções respiratórias podem evoluir.

Entre os sintomas discutidos nas ações estavam coriza, congestão nasal, tosse, febre baixa, irritabilidade e redução do apetite. Já entre os sinais que exigem procura por atendimento estão dificuldade ou aceleração da respiração, esforço para respirar, gemência, pausas respiratórias, cianose, recusa alimentar, sonolência excessiva, desidratação e piora progressiva.

As famílias também receberam orientações sobre higienização das mãos, etiqueta respiratória, limpeza de superfícies, redução da exposição de bebês a aglomerações durante períodos de maior circulação viral e afastamento de pessoas com sintomas respiratórios do contato próximo com crianças pequenas.

Imunização entrou na conversa

Outro eixo importante foi explicar as estratégias de imunização e combater a desinformação.

O trabalho destaca que a incorporação de novas tecnologias preventivas ao SUS não produz todo seu potencial quando a população desconhece indicações, benefícios ou caminhos para acessá-las. Por isso, uma das metas do projeto foi justamente traduzir informações técnicas para uma comunicação mais acessível.

As atividades abordaram também a proteção durante a gestação, aleitamento materno e os riscos da automedicação e do uso indiscriminado de antibióticos e xaropes em crianças pequenas.

O próprio estudo reconhece uma limitação

Os resultados, entretanto, precisam ser interpretados corretamente. O trabalho é um relato de experiência, e não um ensaio destinado a medir redução de hospitalizações ou eficácia clínica das intervenções.

Os próprios autores reconhecem que não houve acompanhamento longitudinal dos participantes. Portanto, não foi possível medir objetivamente quanto das informações foi retido pelas famílias nem se as orientações efetivamente alteraram comportamentos no longo prazo.

Essa limitação torna interessante uma das conclusões da experiência: educação em saúde não deveria ser necessariamente uma intervenção isolada. A continuidade das ações pode favorecer a consolidação das informações e permitir que novas dúvidas sejam esclarecidas.

A UBS como espaço de educação

Além do impacto sobre a comunidade, o projeto aproximou universidade, serviços de saúde e população e proporcionou aos estudantes de Medicina experiências relacionadas à comunicação em saúde, educação popular e atuação comunitária.

Ao final, a experiência de Passos aponta para uma ideia aparentemente simples, mas estratégica para a Atenção Primária: prevenir também é fazer a informação circular antes que a doença se agrave.

Quando famílias aprendem a reconhecer sinais de alerta, compreendem medidas preventivas e sabem onde buscar atendimento e imunização, a sala de espera deixa de ser apenas um lugar de espera — e passa também a fazer parte do cuidado.

Fonte: GONÇALVES, Álvaro José Bernardes et al. Primeiros Suspiros Protegidos: Informação, Prevenção e Estratégias de Imunização contra a Bronquiolite no SUS. REUNI Atenas – Revista de Extensão Universitária Atenas, Passos-MG.

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