Internações por artrite reumatoide crescem 69,5% no Paraná e gastos hospitalares mais que triplicam em cinco anos

Estudo com dados do SUS mostra que despesas passaram de R$ 962 mil para quase R$ 3 milhões entre 2021 e 2025; em Cascavel, internações saltaram de 3 para 30 em apenas dois anos

As internações por artrite reumatoide e outras poliartropatias inflamatórias aumentaram 69,5% no Paraná entre 2021 e 2025, enquanto os gastos hospitalares relacionados a esses atendimentos mais que triplicaram. Os dados fazem parte de estudo publicado em agosto de 2026 na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE).

A pesquisa, desenvolvida por Mariana Raizi Jorden e Eduardo Miguel Prata Madureira, analisou informações do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponibilizadas pelo DATASUS, comparando o comportamento dos indicadores no Paraná e no município de Cascavel entre 2021 e 2025.

O resultado chama atenção não apenas pelo crescimento das hospitalizações, mas principalmente pela velocidade com que os custos avançaram.

Paraná passou de 542 para 919 internações

Em 2021, o Paraná registrou 542 internações e desembolsou R$ 962.310,50 com os atendimentos analisados. Em 2025, foram 919 internações, com despesas de R$ 2.997.898,27.

Isso significa que, enquanto as hospitalizações aumentaram aproximadamente 69,5%, os gastos avançaram mais de 211%.

O custo médio de cada internação também subiu consideravelmente: passou de R$ 1.775,48 em 2021 para R$ 3.262,13 em 2025.

Somados os cinco anos pesquisados, foram registradas 3.794 internações no Paraná, que representaram R$ 9,59 milhões em despesas hospitalares. A evolução anual das internações apresentada no gráfico do estudo mostra crescimento contínuo: 542 em 2021, 688 em 2022, 790 em 2023, 855 em 2024 e 919 em 2025.

Custos cresceram acima da inflação

A comparação realizada pelos pesquisadores com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que a inflação, isoladamente, não explica o crescimento dos custos.

Em 2022, por exemplo, o reajuste do valor médio das internações no Paraná foi de 28,16%, enquanto o IPCA registrado no estudo ficou em 5,78%.

Em 2025, a diferença voltou a ser expressiva: aumento de 27,06% nos custos das internações diante de inflação de 4,26%.

Para os pesquisadores, os números sugerem aumento real da carga econômica associada aos atendimentos e podem estar relacionados à maior complexidade assistencial e à crescente utilização de recursos hospitalares.

Em Cascavel, internações multiplicaram por dez em dois anos

O comportamento observado em Cascavel foi ainda mais abrupto, embora os números absolutos sejam muito menores que os estaduais.

O município registrou seis internações em 2021, quatro em 2022 e apenas três em 2023. A trajetória mudou a partir do ano seguinte: foram 16 internações em 2024 e 30 em 2025.

Na comparação entre 2023 e 2025, portanto, o número de internações passou de 3 para 30 — dez vezes o registrado dois anos antes.

Os gastos acompanharam a mudança. Saíram de R$ 1.674,99 em 2023 para R$ 32.936,63 em 2024 e chegaram a R$ 76.768 em 2025.

O custo médio por internação em Cascavel passou de R$ 558,33 em 2023 para R$ 2.058,54 em 2024 e R$ 2.558,93 em 2025.

Tempo de internação também apresenta diferenças

Outro indicador analisado foi o período médio de permanência no hospital.

No Paraná, o número permaneceu relativamente estável, entre 4,3 e 5 dias. Cascavel apresentou comportamento mais irregular.

O gráfico comparativo publicado no estudo mostra que, em 2021, a permanência média em Cascavel chegou a 10,5 dias, contra 4,3 dias no Paraná. Nos anos seguintes, a média municipal caiu para 2,8 dias em 2022 e 3,3 em 2023, aproximando-se do indicador estadual em 2024 e 2025.

Segundo os autores, internações mais prolongadas podem estar associadas a diferentes fatores, entre eles maior gravidade dos casos, complicações sistêmicas e dificuldades relacionadas ao manejo ambulatorial.

Artrite reumatoide vai além das articulações

A artrite reumatoide é uma doença autoimune, inflamatória e crônica. Ela provoca inflamação persistente das articulações e, sem tratamento adequado, pode ocasionar destruição progressiva de cartilagens e ossos, deformidades e incapacidade funcional.

A doença também pode apresentar manifestações sistêmicas e está associada a outras condições de saúde.

O tratamento procura controlar a inflamação, impedir ou retardar danos estruturais e preservar a capacidade funcional. Entre as estratégias estão os medicamentos modificadores do curso da doença, conhecidos como DMARDs, além de terapias biológicas em determinados casos.

Por isso, os pesquisadores destacam a importância do diagnóstico precoce e do acesso adequado ao tratamento.

Internações funcionam como sinal de alerta para o SUS

Um dos aspectos mais relevantes do estudo é a utilização das hospitalizações como indicador indireto da qualidade do manejo da doença.

A artrite reumatoide é predominantemente acompanhada de maneira ambulatorial. Assim, tendências de crescimento das internações podem ajudar gestores a identificar problemas de acesso ao diagnóstico, acompanhamento especializado, controle da doença ou disponibilidade de tratamentos.

Os próprios autores, entretanto, são cautelosos: os dados do SIH/SUS não permitem estabelecer diretamente as causas do crescimento observado. O estudo trabalha com informações agregadas e reconhece limitações como possível subnotificação e ausência de informações clínicas detalhadas dos pacientes.

Os pesquisadores também levantam a possibilidade de parte das oscilações estar relacionada aos efeitos indiretos da pandemia de Covid-19, que afetou consultas e acompanhamento de doenças crônicas.

Ainda assim, os números apontam uma tendência clara no Paraná: entre 2021 e 2025, aumentaram tanto as internações quanto — em proporção ainda maior — os recursos hospitalares destinados aos atendimentos relacionados à artrite reumatoide e outras poliartropatias inflamatórias.

Para os autores, o cenário reforça a necessidade de monitoramento permanente, diagnóstico precoce, acompanhamento ambulatorial especializado e acesso oportuno às terapias capazes de modificar o curso da doença, medidas que podem contribuir para evitar complicações, hospitalizações e custos adicionais ao SUS.

Fonte: JORDEN, Mariana Raizi; MADUREIRA, Eduardo Miguel Prata. Avaliação epidemiológica e econômica das internações por artrite reumatoide no SUS: estudo comparativo entre Cascavel e Paraná de 2021 a 2025. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação — REASE, São Paulo, v. 12, n. 8, ago. 2026. DOI: 10.51891/rease.v12i8.26949.

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